Você já teve a sensação de estar dentro de um grande Big Brother quando navega pela internet, sendo constantemente observado e sofrendo uma consequência em tudo que visualiza ou clica?.

Você recebe mais informações sobre os temas que lê, vê e vem perseguido pelos produtos que clica? Pois bem, este é só o começo da evolução dos sistemas de informação no que se refere à tecnologia de e-commerce.

Quando você entra em um negócio, qual é a primeira coisa que um vendedor fala? Quase sempre a frase é: bom dia, em que posso lhe ajudar? Os menos sociáveis, como eu, já tentam se livrar respondendo: Estou só dando uma olhadinha, se precisar de algo lhe chamo. Mas o fato é que um bom vendedor sempre tenta recolher informações úteis (por questionamentos, observação e intuição), propondo o produto que melhor corresponda às exigências do cliente.

Dessa maneira, o recolhimento e a elaboração da informação ajuda o vendedor a de fato vender, pois compreende melhor as preferências, gostos, exigências, necessidades, anseios, desejos, fraquezas, expectativas, etc. de quem estão atendendo, formulando um processo de comércio cognitivo.

Cognitivo é uma expressão que está relacionada com o processo de aquisição de conhecimento (cognição). O ser humano, através dos processos cognitivos (percepção, imaginação, memória, razão, etc.)  aprende e direciona seu comportamento.

No caso de um e-commerce, geralmente o gerente administra as informações de compra, colhe dados de analytics e algumas outras poucas referências. Depois disso, os dados vêm agrupados em segmentos e, por meio de uma análise e lógica de negócio, o time de marketing propõe novas ações. Por exemplo: é visto que determinado produto vende mais para homens entre 40 e 50 anos, então vem elaborada uma campanha de email-marketing para esse público com um cupom de desconto em produtos similares ou complementares.

É evidente que a atividade humana, avaliando informações e decidindo o próximo passo, só é possível se a malha de dados recolhida for gerenciável, no sentido em que quanto mais cresce a base de dados, mais se torna humanamente impossível avaliá-la, sendo necessárias automações. Passamos então para uma segunda geração de sistemas, que, com base nas regras configuradas pelo time de análise e marketing, são capazes de automatizar ações a partir da elaboração das informações recolhidas. É o que geralmente se enquadra na personalização da oferta, porém sem a análise humana, o processo acaba deixando muitas lacunas.

Por exemplo, vamos supor que eu esteja em um site de e-commerce olhando um vestido feminino. Mas será que, eu, Rodrigo, estou realmente interessado em comprar um vestido? Na verdade não, foi um link enviado em que me foi pedida uma opinião sobre qual vestido era mais bonito. É então evidente que o sistema ainda tem informações parciais, já que hoje estou sendo massacrado ininterruptamente por ofertas de vestidos.

Agora imaginemos um sistema capaz de recolher todas as informações que cada indivíduo dissemina na rede por meio de sua navegação cotidiana, que possa elaborar e escolher as ações consequentes mais oportunas baseadas em um processo de aprendizado e percepção.

Hoje estamos entrando em uma nova fase, a da computação cognitiva, ou seja a da elaboração cognitiva nos sistemas de softwares. Em outras palavras, sistemas que aprendem. No âmbito do comércio eletrônico, através da elaboração de big data, os sistemas verão que tenho filhos, que comprei uma roupa infantil de menino com a estampa de Batman, aprenderão que ofertas combinam com a compra anterior, descobrirão o aniversário do menino e somente um mês antes desta data iniciarão a mostrar ofertas relacionadas ao âmbito infantil para menino de acordo com a evolução da tendência “Batman” versus a idade da criança. Prevendo que a criança já tem a camiseta do Batman, que não realizei compra de videogames, que o aniversário é de 9 anos, e que Batman foi o antecessor do sucesso deste ano que é o Capitão América, o sistema poderá me incluir no segmento de potenciais compradores de videogames e do jogo do Capitão América. Ou seja, uma oferta totalmente alinhada com o que provavelmente estarei pré-disposto a comprar e não simplesmente baseada na busca e em pageviews em sites.

Este é verdadeiramente o grande desafio do futuro: o comércio cognitivo e a contextualização da oferta. Algo longe de acontecer? Não, muitos grandes players já estão se movendo neste caminho. Aguarde os próximos capítulos.

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